Na última semana saiu o resultado de uma pesquisa realizada
por umas das consultorias mais respeitadas do mundo na avaliação dos sistemas
de ensino colocando o Brasil em penúltimo lugar em um ranking na qualidade da
educação. A própria pesquisa afirma que para mudar esse quadro, a educação tem
que ser prioridade, exigindo um esforço para valorização do professor – melhor
condição salarial, melhores condições de trabalho, investimento na formação –
além da parte estrutural das escolas e creches, é claro.
Estamos numa guerra como soldados
encurralados pelo fogo inimigo. Professores lutaram por uma lei que valoriza o
magistério, a Lei do Piso (o professor é único profissional que não tem
teto salarial ), considerada a conquista mais significativa dos últimos tempos,
contrariando uma série de recursos onde alguns municípios e estados que diziam
não ter condições de pagar o mínimo para os professores - as
greves e reivindicações surtiram efeito - o Brasil estabeleceu por lei o
menor salário que deveria ser pago a este profissional da educação. Durante a
campanha “O Piso é Lei, faça valer!” constamos que alguns professores, nos
rincões do Brasil, chegava a ganhar R$ 50, 00 por mês. Comemoramos a vitória!
Uma vitória passageira... hoje nossa luta é pra não assistir ao retrocesso legal, e a Lei do Piso não ser
reformulada de acordo com os interesses de deputados que querem estabelecer
outra forma de reajuste salarial , aquela em que o professor mais uma vez vai
sair perdendo. O reajuste de 21% pode ser modificado para 5%. É piada? Não! É a forma que nossos
parlamentares demonstram qual é a prioridade do país.
E
agora somos a piada da vez: nossa presidenta, através do Ministério da
Educação anuncia um abono para todos os professores do ensino básico com o
intuito de diminuir o nível de estresse nestes profissionais. O Governo Federal
concederá uma “Bolsa Sexual” de R$ 628,00 para compensar o alto desgaste físico e mental, aumenta
o nível de estresse, afeta a autoestima, compromete o desempenho sexual e
consequentemente dificulta sua atuação em sala de aula. Isso mesmo, gente! O
professor é um profissional onde o nível de estresse está associado à quantidade
de sexo que faz por mês! O nível de estresse do professor não é medido pela carga
horária exorbitante, pela peregrinação ensinando em duas ou três escolas para sustentar sua família com dignidade, não é medido pelo desrespeito dos estudantes
que agridem verbal e fisicamente este profissional, não é medido pela quantidade de horas extra
classe que este profissional tem que usar em casa com correção de provas,
planejamento, e pesquisando estratégias de aulas inovadoras, tão exigidas para
qualificar a educação. Esses fatores não são considerados para que essa
profissão que atinja um dos maiores níveis de estresse, de doenças psicossomáticas,
problemas de voz e depressão. É a falta de sexo!
Um país que trata um profissional responsável
pela formação do seu cidadão como palhaço é digno de estar na penúltima
colocação no ranking da educação. Um país que utiliza o dinheiro do FUNDEB para
abonar o profissional da educação com uma bolsa para amenizar o estresse em motéis
e outros derivados, e não como reajuste salarial, é digno da penúltima colocação. Um país que
não valoriza a carreira do professor e está na 69ª colocação no ranking da
corrupção entre 176 países, não é digno das primeiras colocações em educação.
Se tivéssemos um salário digno da
missão que nos é imposta, daríamos uma vida de qualidade aos nossos filhos, não
faríamos via sacra em duas ou três escolas, teríamos mais tempo para o descanso
e a companhia de nossa família. Se a lei do Piso fosse cumprida e a carga horária
reduzida em sala de aula com o aumento
de tempo para a pesquisa, a saúde mental estaria preservada. Se o profissional fosse respeitado pela
escola, pela sociedade, pelo poder público, com certeza o problema da ausência
de auto-estima estaria resolvido.
Registramos aqui neste humilde blog nossa indignação a esta BOLSA
SEXUAL/ BOLSA MOTEL: mais uma vergonha para um país que amarga a
penúltima colocação no ranking da educação!













Quando li este artigo, automaticamente fui lançada no túnel do tempo e me vi, literalmente, na minha turma de 5ª série no início dos anos 80. A aula era de Educação Moral e Cívica, e eu sentada na terceira fileira de carteiras escolar, respondendo o exercício escrito sobre virtudes e vícios. Não esqueço nunca desse tempo, onde os conceitos de moralidade e civismo se relacionavam à uma ordem e progresso imposta pela Ditadura militar. Onde e em que momento a ideia de civismo poderia passar pela luta por direitos políticos? Para aquela proposta de educação, lutar, reivindicar seria sinônimo de desordem. E a ordem era severa. Nós que estávamos distantes dos movimentos, das prisões, das informações, que nem sonhávamos que pessoas estavam lutando por direitos políticos e formando movimentos sociais, sentíamos de forma diferenciada, é claro, a crueldade de um governo de ditadura.

Hoje pela manhã, vasculhando na internet notícias sobre
educação, o que está ocorrendo no Brasil e no mundo, me deparei com uma reportagem
sobre a ocorrência de atos de intimidação e ameaças à família da blogueira
Isadora Faber, aquela menina de treze anos, que criou uma página do facebook
para narrar a rotina da escola que
estuda, uma escola pública municipal de Florianópolis. Este blog foi a sensação nas redes sociais por
diversos fatores, mas principalmente porque denunciava situações de abandono do
poder público, de má conservação da estrutura em que colocava em risco a vida
dos próprios estudantes. As fotos postadas, tiradas pela própria Isadora surtiram
um efeito devastador para ela e para sua família. Despertou um incômodo na
instituição, tanto por parte dos professores e gestor, como da Secretaria de
Educação. A garota foi parar na
delegacia por causa dessa iniciativa.











